Livro

A morte e a morte de Quincas Berro D'Água

Jorge Amado

📅 1961 🌍 BRASIL 📚 NOVELA 📄 120 páginas

Um homem conhecido pela bebedeira morre, mas 'ressuscita' brevemente para curtir uma última farra ao lado dos amigos, zombando da hipocrisia da família que tenta lhe impor um enterro digno.

Primeiro parágrafo

Até hoje permanece certa confusão em torno da morte de Quincas Berro D'água. Duvidas por explicar, detalhes absurdos, contradições no depoimento das testemunhas, lacunas diversas. Não há clareza sobre hora, local e frase derradeira. A família, apoiada por vizinhos e conhecidos, mantém-se intransigente na versão da tranquila morte matinal, sem testemunhas, sem aparato, sem frase, acontecida quase vinte horas antes daquela outra propalada e comentada morte na agonia da noite, quando a lua se desfez sobre o mar e aconteceram mistérios na orla do cais da Bahia. Presenciada, no entanto, por testemunhas idôneas, largamente falada nas ladeiras e becos escusos, a frase final repetida de boca em boca, representou, na opinião daquela gente, mais que uma simples despedida do mundo, um testemunho profético, mensagem de profundo conteúdo (como escreveria um jovem autor de nosso tempo).