Livro
A Máquina do Tempo
Um cientista constrói uma máquina capaz de viajar no tempo e visita um futuro distante, onde a humanidade se dividiu em duas espécies opostas, os Eloi e os Morlocks.
Primeiro parágrafo
O Viajante no Tempo (pois convém que ele seja designado desta forma) estava nos explicando um assunto dos mais recônditos. Seus olhos cinzentos cintilavam e seu rosto, em geral pálido, exibia cor e animação. O fogo ardia e a luz suave das lâmpadas incandescentes projetada pelos lírios de prata do lustre fazia luzir as bolhas que despontavam e dançavam em nossas taças de cristal. As cadeiras, de um modelo patenteado por ele próprio, pareciam nos abraçar, nos envolver, mais do que receber o peso de nosso corpo. Em toda a nossa volta havia aquela atmosfera repousante de pós-jantar, quando os pensamentos vagueiam à vontade, livres das barreiras da socialmente exigida precisão. E foi em tal cenário que ele nos expôs sua ideia, reforçando cada ponto com o dedo em riste, enquanto nós, sentados preguiçosamente, admirávamos o fervor e a imaginação com que ele expunha seu novo paradoxo.